Itália autoriza extradição de Carla Zambelli

Informação foi dada nesta quinta-feira e a defesa anuncia recurso; caso segue sem prazo final

A Justiça italiana decidiu, nesta quinta-feira (26), autorizar a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil. A medida foi tomada pela Corte de Apelação, responsável por analisar o pedido formal encaminhado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

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Zambelli deixou o território brasileiro em maio do ano passado, mesmo após ter sido condenada pelo STF a 10 anos de prisão por participação na invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

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A decisão representa um avanço no processo, mas ainda não encerra o caso. A defesa da ex-parlamentar já informou que pretende recorrer, e não há um prazo definido para a conclusão definitiva. Após o esgotamento dos recursos judiciais, a palavra final caberá ao governo italiano.

O processo em análise em Roma trata do pedido feito pelo STF para que Zambelli, que foi presa no país europeu após alerta da Interpol, seja entregue às autoridades brasileiras.

Com cidadania italiana, a ex-deputada deixou o Brasil atravessando a fronteira com a Argentina. Em seguida, passou pelos Estados Unidos antes de seguir para a Europa.

Durante sua permanência fora do país, Zambelli publicou mensagens nas redes sociais alegando ser alvo de perseguição e afirmando que ainda provaria sua inocência.

Como saiu do Brasil após a condenação, ela passou a ser considerada foragida pela Justiça brasileira. Diante disso, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, formalizou o pedido de extradição, posteriormente encaminhado pelo governo brasileiro às autoridades italianas.

Atualmente, Zambelli segue presa em Roma. As autoridades locais decidiram mantê-la detida por entenderem que existe risco de fuga.

Prisão e andamento do processo

A prisão da ex-deputada foi confirmada em julho do ano passado. Na ocasião, ela já constava na lista vermelha da Interpol e foi detida por forças de segurança italianas.

Após ser presa, Zambelli declarou que preferia ser julgada na Itália e reafirmou que não teve participação na invasão dos sistemas do CNJ. Ainda assim, a Justiça local determinou sua permanência na prisão durante o andamento do processo.

Nos meses seguintes, o trâmite da extradição sofreu atrasos e acumula quatro adiamentos de audiências. Entre os motivos, estão a adesão da defesa a uma greve de advogados em Roma e a apresentação de novos documentos ao tribunal.

Cronologia do caso

Em 15 de maio de 2025, a Primeira Turma do STF condenou, de forma unânime, Zambelli e o hacker Walter Delgatti Neto pela invasão aos sistemas do CNJ.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), ambos teriam inserido documentos falsos em plataformas oficiais com o objetivo de questionar a credibilidade da Justiça brasileira.

Zambelli recebeu pena de 10 anos de prisão em regime inicial fechado, além da perda do mandato, já que a condenação ultrapassa o limite constitucional de ausências em sessões legislativas.

Delgatti foi condenado a oito anos e três meses de prisão, também em regime inicial fechado.

Em 25 de maio de 2025, a ex-deputada deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina, seguindo posteriormente para os Estados Unidos e, depois, para Roma.

Em 7 de junho de 2025, o STF determinou a prisão definitiva dos dois condenados, após o trânsito em julgado do processo — etapa em que não há mais possibilidade de recurso.

Na ocasião, o ministro Alexandre de Moraes rejeitou os últimos pedidos da defesa e ordenou o envio do pedido de extradição ao Ministério da Justiça.

Perda do mandato e renúncia

Em dezembro, o STF reforçou a decisão que determinou a cassação do mandato de Zambelli, revertendo entendimento anterior da Câmara dos Deputados. Três dias depois, ela formalizou sua renúncia.

Na carta enviada, a ex-parlamentar afirmou ser alvo de perseguição e declarou que sua “história pública não foi forjada”.

“Afirmo: a verdade foi dita, a história foi escrita e a minha consciência permanece livre”, concluiu a ex-deputada.

Apesar da renúncia, a medida não altera as condenações impostas pela Justiça. Dessa forma, mesmo que a defesa tenha buscado preservar seus direitos políticos, as decisões já determinam sua inelegibilidade.

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Fonte:
Portal RBV | com informações G1

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