Uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), vinculado ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), investiga um esquema de falsidade ideológica e crimes contra a saúde pública. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão na manhã de segunda-feira (22) no município de Itapema, no Litoral Norte catarinense.
PARTICIPE DO NOSSO GRUPO NO WHATSAPP E RECEBA NOTÍCIAS
Segundo informações apuradas pelo colunista Ânderson Silva, o grupo investigado estaria utilizando recursos tecnológicos avançados para falsificar a voz do médico Drauzio Varella.
O material era utilizado em anúncios falsos que promoviam a venda de medicamentos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), dando a falsa impressão de recomendação médica.
As investigações apontam que os criminosos criavam conteúdos manipulados com o objetivo de simular a participação do médico e de outros profissionais de saúde, induzindo consumidores ao erro.
No entanto, o número de vítimas atingidas pelo esquema ainda não foi divulgado pelas autoridades.
Operação teve origem em São Paulo e conta com apoio de Santa Catarina
A investigação tem origem no estado de São Paulo e segue sob sigilo judicial. Os mandados foram expedidos pela Vara Regional das Garantias paulista e cumpridos em Itapema com apoio do MPSC.
A ação integra a operação denominada “Double Check”, coordenada pelo CyberGAECO do Ministério Público de São Paulo (MPSP), com atuação conjunta de forças de segurança.
De acordo com o Ministério Público, o esquema criminoso utilizava técnicas sofisticadas de manipulação digital, incluindo inteligência artificial, para recriar falas e imagens do médico, ampliando a credibilidade dos anúncios fraudulentos.

Histórico de golpes envolvendo imagem do médico preocupa autoridades
O caso chama atenção porque o médico Drauzio Varella já é frequentemente alvo de uso indevido de sua imagem em propagandas enganosas.
Um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) analisou cerca de 170 mil anúncios em redes sociais e identificou que mais de 76% apresentavam conteúdo enganoso, sendo o médico um dos nomes mais utilizados.
Em entrevista ao programa Fantástico, Varella relatou que precisou acionar a Justiça contra plataformas digitais para tentar conter o uso indevido de sua imagem.
Ele afirmou: “Fui obrigado a contratar um escritório de advocacia para tentar tirar do ar essas propagandas porque a gente tentava explicar, olha, isso aí é absurdo, eles não davam nem bola nem respondiam, você mandava um e-mail explicando que aquilo era falso, eles nem não se dava o trabalho de responder ” relata.
Em resposta, a empresa Meta, responsável por redes sociais como Facebook e Instagram, informou que tem intensificado ações contra golpes digitais, incluindo uso de tecnologia de reconhecimento facial e ferramentas de segurança para alertar usuários.
Atualmente, Drauzio Varella é um dos médicos mais influentes do país, com mais de 6 milhões de seguidores nas redes sociais, onde compartilha conteúdos educativos sobre saúde, prevenção de doenças e qualidade de vida.



