A rápida expansão da inteligência artificial tem provocado debates cada vez mais intensos sobre seus impactos na sociedade, especialmente diante do avanço das fake news e dos chamados deep fakes nas redes sociais. O tema foi destaque no programa RBV Entrevista, da Rádio Videira, que recebeu o professor universitário, advogado e pesquisador da área, Arthur Posser Tonetto, para discutir os desafios e riscos do uso da tecnologia.
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Segundo Tonetto, a inteligência artificial representa uma revolução tecnológica com grande potencial de benefícios, mas que exige responsabilidade em sua utilização. Ele destacou que, nos últimos anos, as ferramentas evoluíram rapidamente, permitindo a criação de vídeos, imagens e áudios extremamente realistas.
“O avanço da inteligência artificial permite que conteúdos falsos tenham aparência de verdade, o que torna muito difícil para as pessoas identificarem se uma informação é real ou não”
O especialista citou exemplos recentes em que conteúdos gerados por inteligência artificial circularam nas redes sociais, como vídeos relacionados a desastres climáticos em Minas Gerais e também conteúdos sobre o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Em muitos casos, imagens e vídeos falsos ganharam grande repercussão, alcançando milhares ou até milhões de visualizações antes de serem desmentidos.
Além dos impactos sociais, o uso dessas tecnologias também preocupa especialistas no campo político, especialmente em 2026, ano de eleições no Brasil. De acordo com Tonetto, conteúdos manipulados podem ser utilizados para prejudicar candidatos, influenciar opiniões e aumentar a polarização política. “As chamadas deep fakes permitem criar discursos e situações que nunca aconteceram, mas que podem parecer extremamente reais para quem assiste”, alertou.
Diante desse cenário, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já estabeleceu regras específicas para o uso de inteligência artificial durante o processo eleitoral. Uma das medidas determina a proibição da divulgação de conteúdos produzidos por inteligência artificial nas 72 horas que antecedem a votação e nas 24 horas após o pleito, buscando evitar a disseminação de desinformação capaz de influenciar o voto dos eleitores.
Outro ponto destacado pelo especialista é o papel dos algoritmos das redes sociais, que costumam entregar aos usuários conteúdos semelhantes aos que já foram pesquisados ou consumidos anteriormente. Esse mecanismo pode criar bolhas de informação e facilitar a circulação de conteúdos falsos, muitas vezes sem que o usuário perceba.
“As pessoas passam a receber apenas informações que confirmam aquilo que já acreditam, o que dificulta o acesso a diferentes pontos de vista”
Para enfrentar esse cenário, Tonetto defende duas frentes principais: educação digital da população e maior responsabilidade das plataformas digitais. Segundo ele, os usuários precisam desenvolver senso crítico para verificar a origem das informações antes de compartilhá-las. Já as plataformas poderiam adotar mecanismos que identifiquem conteúdos produzidos por inteligência artificial.
“Uma das soluções seria indicar claramente quando um vídeo ou imagem foi produzido por inteligência artificial. Isso não significa censura, mas sim transparência para que o usuário saiba que está diante de um conteúdo gerado por tecnologia”





