A Lei Maria da Penha, principal instrumento legal no combate ร violรชncia domรฉstica, chegou ร maioridade nesta quarta-feira. Sancionada em 7 de agosto de 2006, a lei foi batizada com o nome de uma farmacรชutica que sofreu uma dupla tentativa de homicรญdio pelo prรณprio marido. A sua busca por justiรงa โ ela chegou a ficar paraplรฉgica depois de levar um tiro nas costas โ resultou na criaรงรฃo da Lei n. 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha.
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De lรก para cรก, foram registrados avanรงos significativos no enfrentamento do ciclo de violรชncia contra a mulher, como pontua a desembargadora Hildemar Meneguzzi de Carvalho, responsรกvel pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situaรงรฃo de Violรชncia Domรฉstica e Familiar (CEVID), do Poder Judiciรกrio catarinense (PJSC). โTodos os direitos abrangidos pela Lei Maria da Penha jรก estavam previstos na Constituiรงรฃo de 1988. A Lei Maria da Penha veio para fortalecer esses direitos e dar maior visibilidade a eles, visando a conscientizaรงรฃo e a prevenรงรฃo da violรชncia domรฉstica e familiarโ.
A prรณpria CEVID, que na sua origem foi nomeada de Coordenadoria Estadual de Execuรงรฃo Penal e Violรชncia Domรฉstica e Familiar contra a Mulher (CEPEVID), foi criada em 2012 com o objetivo de aprimorar a estrutura do Judiciรกrio na รกrea do combate e prevenรงรฃo ร violรชncia domรฉstica, seguindo orientaรงรฃo do Conselho Nacional de Justiรงa (CNJ).
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Prevenรงรฃo, aliรกs, รฉ a palavra-chave dos projetos desenvolvidos no รขmbito do Poder Judiciรกrio catarinense. Exemplo disso รฉ o programa Indira, iniciativa pioneira no paรญs, que implementou uma polรญtica de prevenรงรฃo e de medidas de seguranรงa voltada ao enfrentamento da violรชncia domรฉstica e familiar contra magistradas, servidoras, terceirizadas e demais colaboradoras do PJSC. Desde o seu lanรงamento, em 2022, mais de 500 pessoas foram atendidas e atualmente 23 sรฃo monitoradas por risco de vida.
โO programa Indira foi criado apรณs um feminicรญdio, lamentavelmente, na comarca de Itajaรญ, de uma servidora que era irmรฃ de uma juรญza, e tambรฉm apรณs outro caso registrado com uma servidora na comarca de Sรฃo Miguel do Oeste. Dentro desse programa, nรณs trabalhamos juntamente com o Nรบcleo de Inteligรชncia e Seguranรงa Institucional (NIS), com vistas na seguranรงa do nosso pรบblico internoโ, explica a desembargadora Hildemar.
Outra iniciativa de destaque da Justiรงa catarinense รฉ a Ouvidoria da Mulher, inaugurada hรก quase dois anos, em 23 de agosto de 2022. Atรฉ o final de 2023 o setor registrou 40 demandas, e em 14 delas houve orientaรงรฃo para que as mulheres procurassem a Central Especializada de Atendimento ร s Vรญtimas de Crimes, de Atos Infracionais e de Violรชncia Domรฉstica e Familiar (CEAV). Os atendimentos sรฃo feitos tanto por meio do portal quanto presencialmente, na sede do TJSC, onde uma equipe de mulheres treinadas realiza a escuta ativa com total discriรงรฃo. โA ouvidoria estรก aqui para acolher as pessoas, para ouvir sugestรตes, mas principalmente para ouvirโ, ressalta Hildemar.
Jรก na CEAV, cujo objetivo รฉ prestar informaรงรฃo e apoio ร s vรญtimas de crimes, de atos infracionais e de violรชncia domรฉstica e familiar, foram registrados 206 atendimentos somente neste ano, incluindo 180 mulheres. Tais atendimentos resultaram em 54 medidas protetivas encaminhadas pelo setor.
Ainda, hรก diversos outros programas focados na garantia dos direitos femininos desenvolvidos pela Justiรงa catarinense, como o Protocolo de Escuta Humanizada da Vรญtima; o programa รgora (grupos reflexivos para homens autores de violรชncia contra mulheres nas comarcas catarinenses); o projeto Espelhos (grupo reflexivo para mulheres facilitado por uma equipe do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC; a confecรงรฃo e distribuiรงรฃo de uma cartilha sobre a Lei Maria da Penha traduzida para lรญnguas indรญgenas; e a produรงรฃo de materiais educativos, como o โDรช um Basta na Violรชnciaโ e o โCrush Perfeitoโ.
Alรฉm, tambรฉm, da adesรฃo a projetos nacionais, como o Justiรงa pela Paz em Casa, Marรงo รฉ Delas e Sinal Vermelho contra a Violรชncia Domรฉstica, encampados pelo CNJ. Todas as iniciativas estรฃo disponรญveis na pรกgina da CEVID.
Denuncie!
Apesar dos avanรงos obtidos pelas mulheres na defesa de seus direitos, a violรชncia contra elas ainda รฉ um grave problema social. Muitas vezes por medo ou por intimidaรงรตes de diversas naturezas, as vรญtimas de violรชncia domรฉstica nรฃo denunciam os agressores.
Se vocรช sofre ou presenciou algum tipo de violรชncia contra as mulheres, denuncie. Existem diversos serviรงos e instituiรงรตes que podem prestar o atendimento e o apoio necessรกrios para romper o ciclo da violรชncia. Confira:
Polรญcia Militar de Santa Catarina
Ligue 190 (para situaรงรฃo de emergรชncia)
Aplicativo PMSC Cidadรฃo (disponรญvel em Android ou iOS)
Polรญcia Civil de Santa Catarina
Disque-Denรบncia 181 (aceita denรบncia anรดnima) ou (48) 98844-0011 (WhatsApp/Telegram)
Delegacia de Polรญcia Virtual da Mulher
Ouvidoria das Mulheres do Conselho Nacional do Ministรฉrio Pรบblico
Telefone: 610 3315-9476 (WhatsApp)
E-mail: [email protected]
Governo Federal
Ligue 180 (denรบncias e informaรงรตes sobre violรชncia domรฉstica) ou acesse pelo WhatsApp
Para entrar em contato com o serviรงo, รฉ preciso adicionar o Ligue 180 no WhatsApp, enviando uma mensagem para o nรบmero (61) 9610-0180
O Ligue 180 funciona 24h, todos os dias e em todo o paรญs, sem cobranรงas para ligaรงรตes.
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